MEIO AMBIENTE E MEIA CULTURA
ABAIXO O ARTIGO NA ÍNTEGRA QUE PRODUZI PARA OS JORNAIS LOCAIS DE ASSIS/SP/BR. ESPERO, PUBLIQUEM.
Meia cultura ambiental!
Nunca o tema meio ambiente esteve tão atual. Nos jornais, nas escolas e em todo canto, fala-se da necessidade de preservar a natureza, salvar a Amazônia, reciclar o lixo, diminuir o aquecimento global, melhorar a camada de ozônio, combater o comércio ilegal de madeiras, acabar com a queima da palha da cana, tratar os fumantes como criminosos e outras iniciativas. O discurso nos faz acreditar que o ser humano está, aos poucos, se conscientizando de que o planeta terra é mesmo uma estreleca que gira por aí em torno do sol e tem um prazo de validade. Parece, as iniciativas tendem a demonstrar um esforço coletivo para diminuir o impacto do ser humano no planeta e, com isso, ganhar uma sobrevida.
Talvez alguém pudesse estranhar o fato de a nova lei antifumo ser mencionada aqui como iniciativa de preservação ambiental. É certo que o cerne da questão aponta muito mais para a saúde do fumante passivo, inferindo a idéia de que o fumante ativo está condenado mesmo. Mas não fumar ajuda também a garantir umas tantas moléculas de ar puro que pode fazer falta algum dia, especialmente quando se reclama por falta de ar. Assim, não fumar um canavial inteiro ajudaria ainda mais!
No discurso gerado pela necessidade de preservar a mãe do conhecimento, ressaltam também os aspectos de beleza, como a arborização da cidade. Formar ruas bem arborizadas, alamedas ou boulevards, é o sonho secreto de consumo de todo arquiteto engajado. Neste pseudo-avanço da mentalidade humana algumas aberrações tomam o centro das atenções.
Se olharmos para um passado não tão remoto, vemos que a relação do ser humano com a natureza era a da conquista. Derrubar uma árvore era sinal de progresso. Milhares de florestas foram dizimadas sem que a diversidade biológica fosse invocada. Aliás, é bem possível que este conceito nem existisse, ou em caso positivo, não tinha a importância que ganhou face à extinção de espécies. O fato é que a cultura daquele tempo era a do domínio da força da natureza e a conversão dela em conforto e qualidade de vida. O problema é que se todos tiverem acesso a estes dois itens da era pós-moderna, vão faltar recurso e matéria prima. Daí então, esta guinada para a onda preservacionista. Quem consumiu, consumiu!
De resto, o caldo de meia cultura ambiental que se faz presente na sociedade atual elege a preservação como discurso da moda. Preservar é preciso. Cortar árvore é crime. Queimar folhas é condenável, a não ser que se coloque um pouco de palha de cana no meio e então está autorizado, on line. Fumar, só canaviais, talhões bem demarcados e à noite, porque os passivos estão vendo a novela das oito. Então pode!
Por fim, ironias à parte, deparamo-nos com o amadurecimento de uma cultura de meio ambiente. Faltam iniciativas práticas, sobram idéias e discursos. É difícil uma mudança em tão curto prazo. Derrubar uma árvore é condenável. Mas encontrar um jeitinho para adoentá-la cronicamente parece ser uma alternativa extemporânea, mas cabível nesta meia cultura. É o que se observa em cada rua, de cada cidade por este Brasil afora. Árvores mutiladas pela empresa de energia ou de telefonia, agora já terceirizadas para o lenheiro da padaria. Árvores cortadas de qualquer jeito, permitindo sua morte lenta por fungos. Árvores deformadas, formando escultura esdrúxula, feia ou horrível que a natureza, em sua perfeição, jamais produziria.
Para encerrar o grito de indignação, sobretudo com o discurso preservacionista que invade os gabinetes e impedem que a realidade seja o ponto de partida de qualquer discussão, proponho mais iniciativas no campo da educação, via jornais, salas de aula e palestras, principalmente no âmbito da geração vindoura. Como ilustração, duas fotos de deseducação ambiental seguem em anexo.
José Luís Félix - professor


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