AMBIENTE PELA METADE

Monday, June 30, 2008

artigo sobre BIOCOMBUSTÍVEL

Bio não tão biocombustível!

Por José Luís Félix*

A humanidade sempre buscou o desenvolvimento e com ele uma melhor qualidade de vida. Os inventos serviram para facilitar o trabalho e reservar mais horas de lazer. Embora se tenha atingido um nível relativamente alto de conhecimento teórico e prático, esta evolução trouxe também muitas conseqüências negativas.

Quando o alemão Carl Benz inaugurou seu veículo motorizado, em 1885, a gasolina era comprada na farmácia e todos ficaram eufóricos. Esta alegria dura até hoje, quando se observa que, para muitos, o carro é o maior sonho de consumo. Ninguém poderia imaginar, entretanto, o que isto significaria para o planeta. Só agora, quando se compra gasolina em qualquer esquina, perto da escola ou do supermercado, quando a média de carros por pessoas beira o absurdo de 2,5, quando o aquecimento global é um fato, quando as catástrofes ambientais, em forma de tornados, enchentes, calor excessivo ou secas duradouras na Amazônia, estão estampadas em todos os meios jornalísticos do mundo, o homem começa a perceber o preço do prazer de andar de carro. Carl Benz teria vergonha de seu invento?

O fato é que o carro existe e foi feito para andar. Continua sendo o sonho de consumo da maioria das pessoas. É um luxo que se populariza e segue, no mundo inteiro, queimando as reservas de combustíveis fósseis, contribuindo para o aquecimento do planeta e para o esgotamento de uma forma de energia antes pensada como infinita. Neste ritmo de desenvolvimento, o ser humano precisa de outras matrizes energéticas e os biocombustíveis ressurgem como panacéia.

No entanto, basta um olhar mais atento para descobrir que esta solução traz enormes conseqüências para a humanidade. A tentativa de substituir o combustível fóssil por alternativas renováveis trouxe problemas cruciais, como, por exemplo, a necessidade de proteger o solo, a água, a biodiversidade e a própria humanidade. Inaugurou-se de vez a polêmica mundial: produzir biocombustível ou alimentos?

Embora não haja dúvida quanto à necessidade de produzir alimentos, pois ainda há muita gente passando fome, produzir combustíveis alternativos ganhou simpatia no mundo todo. No Brasil, há décadas se anda de carro a álcool e esta opção, aparentemente menos agressiva ao meio ambiente, causa inveja em muitos países. Mas desde o recente fomento do governo brasileiro para produção de biocombustíveis (álcool, biodiesel e derivados), o tema ganhou debate internacional e foi fortemente criticado como sendo um dos responsáveis pela alta mundial no preço dos alimentos.

A crise mundial pela falta de alimentos não é recente. Também não é de hoje a produção de biocombustíveis. O fato de países emergentes receberem grandes investimentos em produção de álcool não altera substancialmente a crise. Vai continuar faltando mais e mais alimentos, assim como mais e mais combustíveis. As reservas fósseis estão no limite. Quase não há mais rios para hidrelétricas. Energia nuclear tornou-se a maior aberração da humanidade. Então, que os países emergentes produzam mais biocombustíveis, afinal têm extensas áreas e isto não afeta a produção de alimentos diretamente.

Pior do que trocar alimentos por biocombustíveis é a maneira como se produz esta nova matriz energética. No Brasil, o Estado de São Paulo, o mais rico da nação, orgulha-se de sua “diversidade agrícola”: praticamente um imenso canavial, pois outras culturas quase não existem mais e, quando existem, ainda assim são monoculturas de laranja e eucalipto. Extensas áreas de produção de trigo, soja e milho de outrora são engolidas pelos canaviais. As poucas árvores que resistiram de uma floresta nativa são removidas, soterradas ou queimadas. Planta-se cana de açúcar geneticamente modificada, jogam-se resíduos industriais na terra, aplicam-se pesticidas poderosos com conseqüências desastrosas para o meio ambiente. Para facilitar a colheita, ainda que proibido pela legislação ambiental, coloca-se fogo em volta da plantação, impedindo que qualquer tipo de vida sobreviva. Bichos em extinção como onças, tatus e tamanduás morrem queimados. Os canaviais sob fogo intenso, dia e noite. Ultimamente, só à noite, quando todos estão fechados em suas casas. Na manhã seguinte, as imensas nuvens de fumaça já se dispersaram com o vento e tem-se a impressão de ar puro novamente. Então chegam os trabalhadores rurais para o corte da cana. Tentam se proteger de todo modo, pois a folha da cana e o facão podem causar graves ferimentos. Ao final do dia, estão sujos, cheios de carvão, exaustos e respiraram cinza o dia inteiro.

O método de produção do biocombustível é ainda pouco conhecido nos seus detalhes, mas inegavelmente tão prejudicial ao meio ambiente quanto a emissão dos gases poluentes dos derivados do petróleo. Biocombustível somado à necessidade de crescimento econômico a qualquer custo, apoiado pelo capital internacional especulativo, não parece tão BIO assim.
_____
* José Luís Félix é Doutor em Letras pela USP e Professor de Alemão do Departamento de Letras Modernas da FCL/As/UNESP


SEM PALAVRAS

Pulverização agrícola??!!!! Uma aberração ambiental!!!! Quem controla!??!? Pode????!??!!!


Canavial queimado!?!?!Pode!?!?!? Mais um absurdo feito pelo ser humano. SER-HUMANO!!!!


uma foto para amenizar o estado de indignação

Os alemães chamam o lusco-fusco de Dämmerung! Sempre vi neste entardecer a alegria de uma vida em curso, o que foi concluído ou realizado durante o dia. aí vem o descanso noturno, pra tudo recomeçar no dia seguinte. É o significados de um sol poente aqui nesta região, na minha cabeça. MAS AGORA ESTÃO MUDANDO ESTA SIGNIFICAÇÃO: É O INÍCIO DA QUEIMA DOS CANAVIAIS, O ESTRALAR DE DESESPERO DOS BICHOS, A MORTE, O FOGO, O INFERNO VIVO E QUENTE LAMBENDO O SOLO. QUE INDIGNAÇÃO!!!

ambiente que não é nem meio!

Escrevi um artigo sobre biocombustível. quero publicá-lo aqui. antes, porém, quero dizer a todos aqueles a quem o artigo possa afetar que a única intenção é a de contribuir para o debate sobre o tema. não quero prejudicar ninguém, nem pessoas, nem empresas. QUERO UM MEIO AMBIENTE POR INTEIRO, NÃO PELA METADE.

O artigo nasceu da necessidade de encontrar texto que falasse de modo geral da polêmica sobre os biocombustíveis. DE UMA LADO, produzir combustível. DE OUTRO, produzir comida. Perguntei pra minha sobrinha, e ela não teve dúvida: COMIDA!!!!

Na falta de bons textos, resolvi produzir um, tocando os problemas de uma região cercada pela cana. Sabemos e respiramos este conhecimento, dia e noite. Ultimamente mais à noite. Um artigo que deverá ser traduzido para o alemão e publicado lá nos jornais deles. Afinal, eles acham mais do que a gente acha, biocombustível é o máximo. não sabe o que se esconde por trás disto.

acima o artigo.

thanks allerseits

Tuesday, June 10, 2008

MAIS TUCAS

Tem gente quebrando recordes, né mole não!!!